terça-feira, 1 de dezembro de 2009

ASSIM É A VIDA? - Parte final

Como podia ser aquilo?
Zequinha, o ladrão, armado,
Apontando a baita peixeira
Quase o teria matado
Para tomar o seu dinheiro
E Jonas que era injustiçado?

Então, o assaltante entra
Na sacra casa do cidadão
Disposto mesmo a matar,
Até rasgar seu coração,
Depois, da vítima infeliz,
Tem direito a indenização?

Qual o fulcro do juiz
Para tal decisão tomar?
Se a Lei é pró assaltante
Vale a pena trabalhar?
Só o ladrão tem direitos
E o honesto vá se lascar?

Ultimamente tem sido assim:
O ladrão rouba e mata
Comete o crime que quer
Bem armado ele assalta
E ao ser preso, insidioso,
“Direitos humanos”, ressalta

Os defensores do axioma
Pressurosos o acodem
“Tadinhos” dos criminosos
Têm direitos, tudo podem.
As vidas perdidas no assalto,
Sem direitos, apenas morrem

Isso tudo Jonas pensava
Sombrio, decepcionado,
Cabia agora recorrer
Para os juízes togados
E o Tribunal decidiria
Se o certo estava errado

Esse caso ainda segue
Na Justiça em andamento
Agora os desembargadores
Farão novo julgamento
Talvez reparem a injustiça
Ou corroborem esse lamento

Eu escrevi este cordel
Com as lágrimas caindo
Mostrando minha tristeza
A pressão do sangue subindo
Expressando meu protesto
Enquanto o bandido está rindo

E pergunto a quem me lê:
Por que ao ser capturado
O ladrão é logo solto
Volta a roubar, o safado,
Mata sem ter piedade
E nem é pronunciado?

Por que os direitos humanos
São apenas p'ra quem mata
Está sempre fora da lei,
Comete estupra e assalta?
É isso que a sociedade
Nos dias de hoje retrata

Já o homem que é honesto
Não tem direito, coitado,
Se estapear um bandido
Vai logo preso, é condenado,
E os Direitos Humanos
Nunca atendem se chamado

Isso precisa mudar depressa
Que tamanha indignidade!
Modificaram os valores
Está vencendo a maldade:
O cidadão em casa trancado
E o meliante em liberdade

Eu expresso o meu protesto!
No cordel que ora termina
E conclamo aos congressistas:
Transformemos essa sina
Dando direito a quem merece
Eliminando o mal que germina.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

ASSIM É A VIDA? - Parte V

Bom, o assalto foi fiasco,
Mas nem tudo terminou
Pois ao bandido correr
Em sua cola Jonas ficou
E depois de agarrá-lo
De bom jeito o amarrou

Como decente cidadão
Para a polícia ele ligou
Contou todo acontecido
E o meliante entregou
Pensando em voltar a ter
A vida que sempre levou

Este cordel talvez findasse
Com o último verso acima
Mas a vida tem aspectos
Que mudam toda uma sina
E fazem desmoronar
Homens, mulheres e rima

Como realmente acontece
E disso temos ciência,
Zeca não esquentou a cela
Nem abalou a consciência
Mas após sair da prisão
Teve um surto de inocência

Pasmem, foi isso mesmo!
Fez todo um chorôrô
Ao procurar um advogado
Relatando que apanhou
De um bruto entroncado
Que por pouco não o matou

O causídico, muito esperto,
Das brechas da Lei sabendo
Procurou logo a Justiça
E foi rápido requerendo
Uma indenização completa
Para ir os bolsos enchendo

A imponente peça jurídica
Todos os trâmites seguiu
Até chegar ao Magistrado
Que um despacho proferiu
Mandando citar Jonas
Para se defender... ele sorriu

Foi a surpresa da citação
Que o fez apenas sorrir
Estranha estória aquela
De um ladrão após agir
Processar a sua vítima
Logo ao da prisão sair

Contudo já que assim era
Jonas procurou se defender
Também contratou advogado
Para revel não parecer
E a defesa foi preparada
Tudo para o juiz resolver

A vida tem dessas coisas
Capazes de nos estarrecer
Às vezes nem esperamos
Algo esquisito acontecer
E, de repente, eis que vem
Algo que faz o riso morrer

Quando o juiz deu a sentença
Na Lei, claro, embasado,
Jonas quase se engasgou:
É que ele fora condenado
A pagar, de indenização,
Doze mil ao desgraçado

...continua

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

ASSIM É A VIDA? - Parte IV

"Quero todo mundo quieto
É um assalto, passe a grana!”
Nervoso gritou Zequinha
Parecendo uma taturana
Que se esconde e dá o bote
Atrás da cajarana

Jonas, homem da paz,
Contudo não bobalhão,
Praticava judô e karatê
Sua arma era a mão
Lutaria pela família
E brigaria com o coração

Ele pulou feito um cabrito
Do lugar onde estava
Segurando um guardanapo
A defesa começava
Mostraria ao desgraçado
Que a honra ali reinava

Com a reação inesperada
Zequinha se espantou
Fez gesto de ameaça
E a peixeira levantou
Mas como se feita de aço
Uma mão forte o segurou

Experiente na arte da luta
Torceu o braço do infeliz
Com o pano tomou a faca
Não matou porque não quis
Aplicou-lhe uma surra
E quase lhe quebra o nariz

Assustado e contorcido
O cabelo todo assanhado
Quase gritando de dor
Tendo o corpo machucado
Zequinha saiu correndo
Pra longe daquele danado

...continua

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

ASSIM É A VIDA? - Parte III

O safado estava disposto
A completar a asneira
De modo que, no domingo,
Armado com a peixeira
Seguiu rumo ao local
Onde faria a besteira

Não ficava muito longe
O palco de sua intriga
Talvez meio quilômetro
Tempo só de uma cantiga
Iria mesmo andando
Ali pela vereda amiga

Foi uma caminhada leve
Enquanto ele ia pensando
Como se daria a trama
Já todo riso e se babando
Seria como roubar pirulito
De um bêbado delirando

Lá estava a bela casa
Cercada por um jardim
Quatro janelas, uma porta,
Nauseabundo odor de jasmim
Não viu gato nem cachorro
Daria tudo bem “certim”

Olhou bem os arredores,
Calculou cada detalhe
E pensou consigo mesmo:
“Faça a coisa e não falhe
Com rapidez e disposição
E que nada atrapalhe”

Uma janela estava aberta
E até lá se deslocou
Para “cubar” o ambiente
A cara feia detonou
Estava começando a festa
Todos na sala, ele enxergou

Foi Ângela quem deu o grito
- A filhinha tão amada -
“Pai, um homem na janela!”
Iniciava-se a parada
Zequinha saltou o parapeito
Com a faca já puxada

...continua(agora que começou a esquentar!!!)

domingo, 15 de novembro de 2009

ASSIM É A VIDA? - Parte II

Esse safado do Zequinha
Num domingo, ao entardecer,
Meio cabreiro, mas, decidido,
Não tendo mais o que fazer
Resolveu tentar um lance
E muita gente iria sofrer

É que alguém da mesma laia
Sussurrou no seu ouvido
Um trampo muito fácil
P’ra tão esperto bandido
Coisa rápida e com grana
Ele seria bem servido

E Zequinha, cabra nojento,
Viu a grande oportunidade
De se sair bem no feito
Pois tinha capacidade
De resolver o tal lance
E encheu-se de vontade


Armou-se p’ra empreitada
Então..espere, ainda não,
Voltemos ao personagem
Homem bom de coração
Que se voltava à família
Com muito amor e dedicação

Naquele fim de semana,
Como sempre Jonas fazia,
Foi com toda a família
Passar momentos de alegria
Lá no sítio que ele tinha
Sempre em boa companhia

No sábado foi tudo bem
A vida seguiu normal
Só risos e brincadeiras
O tempo passava banal
Café, almoço e jantar
O cotidiano, etecetera e tal

Mas no domingo, de súbito,
Bem na hora do almoço,
Algo estranho aconteceu
Causando grande alvoroço
Pois enquanto eles sorriam
Viram à janela um moço

Mas não era qualquer um
Tratava-se de... ainda não
Vou novamente voltar
Ao Zequinha, o furacão,
O sobrenome é p’ra rimar
Aumentando a emoção

Esperem a próxima página
que lá eu vou continuar
relatando esse caso
com lances de arrepiar
e vocês vão compreender:
assim é a vida? É de lascar!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A VIDA É ASSIM?

Esse safado do Zequinha
Num domingo, ao entardecer,
Meio cabreiro, mas, decidido,
Não tendo mais o que fazer
Resolveu tentar um lance
E muita gente iria sofrer

É que alguém da mesma laia
Sussurrou no seu ouvido
Um trampo muito fácil
P’ra tão esperto bandido
Coisa rápida e com grana
Ele seria bem servido

E Zequinha, cabra nojento,
Viu a grande oportunidade
De se sair bem no feito
Pois tinha capacidade
De resolver o tal lance
E encheu-se de vontade


Armou-se p’ra empreitada
Então..espere, ainda não,
Voltemos ao personagem
Homem bom de coração
Que se voltava à família
Com muito amor e dedicação

Naquele fim de semana,
Como sempre Jonas fazia,
Foi com toda a família
Passar momentos de alegria
Lá no sítio que ele tinha
Sempre em boa companhia

No sábado foi tudo bem
A vida seguiu normal
Só risos e brincadeiras
O tempo passava banal
Café, almoço e jantar
O cotidiano, etecetera e tal

Mas no domingo, de súbito,
Bem na hora do almoço,
Algo estranho aconteceu
Causando grande alvoroço
Pois enquanto eles sorriam
Viram à janela um moço

Mas não era qualquer um
Tratava-se de... ainda não
Vou novamente voltar
Ao Zequinha, o furacão,
O sobrenome é p’ra rimar
Aumentando a emoção

Esperem a próxima página
que lá eu vou continuar
relatando esse caso
com lances de arrepiar
e vocês vão compreender:
assim é a vida? É de lascar!

Gilbamar de Oliveira Bezerra

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A VIDA É ASSIM?


ASSIM É A VIDA? - Parte I

Dominado por forte emoção,
as mãos trêmulas ao escrever,
faço agora um triste relato
dum fato que vi acontecer
bem aqui no meu Estado
algo de completo estarrecer

Eu explico, não se avexe,
tenha calma, faz favor,
é que ainda estou atônito
o caso é de extremo horror
pois envolve defesa da honra,
família, bandido, Justiça e desamor

Jonas, vamos chamá-lo assim,
pacato e cumpridor do seu deveres,
não era chegado a badalações;
cuidava só da família e seus haveres
vivendo para o trabalho e a família,
homem dado a poucos lazeres

Honesto no seu comércio,
ganhando o suficiente para viver
de modo digno com seus amados
jamais poderia antever
que uma grande reviravolta
na vida iria acontecer

Nos fins de semana, feliz,
após trabalho estafante,
saía com a família a passear
nada impensado ou de rompante
ia para o sítio lá no campo,
enfim, tinha vida triunfante

Essas coisas assim tão simples
parecem causar inveja ao destino
Quando pensamos estar tudo calmo
eis que, súbito, vem um desatino
desses realmente inesperados,
a vida oscila num fio tênue e fino

Ainda antes de prosseguir
narrando o fato impressionante,
preciso falar um pouco do oposto,
a pequenina nota dissonante
pivô do drama em andamento,
espécie, digamos, de ave rapinante

Refiro-me a Zequinha, só um nome,
sujeito vagabundo e arruaceiro,
daqueles que nada querem da vida
e fazem qualquer coisa por dinheiro,
um pária dentro da sociedade
briguento, mal e arruaceiro

A vida dele era perambular
por aí à toa pensativo,
procurando um jeito de ganhar
alguma grana mesmo inativo
pois nenhum trabalho ele queria,
nada fazia de bom ou construtivo

...continua. Por favor, esperem para conhecer o final espetacular e surpreendente deste relato...